quinta-feira, setembro 11, 2008

3ª Grande Guerra

No verão de 1936 realizaram-se os jogos Olímpicos de Berlim, a máquina política de propaganda aproveitou a ocasião para passar ao mundo o sucesso da ideologia nazi, a imagem de uma Alemanha forte, recuperada da crise de 23 e com cidadãos de elevado nível. Aos próprios alemães serviu para elevar o seu patriotismo e sentido de união nacional. Passados 3 anos esta magnifica e unida nação entrou em guerra com o mundo...
Já há muito tempo que oiço dizer que quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo, há menos de um mês assistimos aos jogos Olímpicos de Pequim, as opiniões são subjectivas mas a ideia que me ficou foi a seguinte. A China organizou uns jogos plenos de grandiosidade e eficiência em que ganhou a melhor parte das medalhas. E não nos esqueçamos que é o país com a economia de maior crescimento no mundo, com a maior população do mundo, o maior exército do mundo, uma das culturas mais antigas o mundo, etc, etc, e mais uma série de superlativos. A China convenhamos, recuperou da politicas desastrosas dos governos anteriores e possui agora os meios e os recursos de uma super potência.
Agora debrucemo-nos sobre outro ponto, porque se faz a guerra? Tirando o motivo óbvio da ambição existe outra razão, se tivermos 2 nações A e B, se a A for muito mais poderosa que B então B provavelmente estará subjugada a A e não tem qualquer possibilidade de se rebelar pelo que não ocorre conflito, mas se por alguma razão o poder de B aumentar a ponto de se equilibrar com o poder de A então é no interesse de B entrar em guerra para virar totalmente o equilíbrio de poder a seu favor. Por isso é que acho que a partir do momento em que existe equilíbrio a probabilidade de ocorrer um conflito aumenta para próximo de 100%.
E tendo isto em conta olhe-mos para a situação mundial, a China em franca ascensão e os EUA a perder o status de ultrapotência, os EUA debatem-se com uma economia anémica, as suas micro-guerras só beneficiam uns poucos e o sentimento geral no mundo não é propriamente de amizade para com os EUA (e nem falo só de países árabes tome-se o exemplo da Venezuela, Coreia...).
Por estas e por outras acho que é razoável afirmar que em menos de 20 anos iremos assistir á 3ª Guerra Mundial, uma espécie de NATO vs China, Rússia e talvez Índia, irá começar provavelmente pela invasão de Taiwan (muitos países já deixaram de lhe reconhecer o estatuto de país, incluindo os EUA) e irá realmente deflagrar quando começar a disputa pelos recursos naturais de África.
De certo modo em Portugal estamos relativamente seguros de ataques directos, somos demasiado pequenos e fracos para que alguém se importe connosco, existe o valor estratégico das Lages mas apenas porque é uma ilha isolada no meio do Atlântico, aqui em terra firme apenas temos que temer os efeitos indirectos da guerra, mas lido melhor com ruína económica, instabilidade política e vagas de refugiados do que com bombas e balas a caírem-me em casa. No entanto não nos podemos esquecer da sempre presente ameaça nuclear, existem bombas atómicas suficientes para destruir o mundo várias vezes, espero é que as facções beligerantes não se esqueçam que têm todas apenas esse mundo para partilhar....

Bom, este foi um post mais pesado que o costume mas achei que partilhando os meus receios vos poderia ajudar a preparar para esta potencial crise, despeço-me agora e desejo sinceramente estar errado.

3 comentários:

Observador disse...

O mundo está diferente depois desse verão de 1936. É verdade que a história repete-se frequentemente mas também é verdade que a China não aparenta ser muito belicista nem baseada no imperialismo exacerbado pelos EUA e pela Rússia. É verdade que a China cresce mas é, sobretudo, economicamente. Militarmente os EUA estão noutro nível com a ajuda do seu orçamento de defesa, superior à soma de todos o gasto do resto do mundo, China incluida. A única maneira de derrotar os EUA é na economia, e é aí que a China está a dar cartas. Óbvio é que se os EUA se virem a lutar uma batalha perdida neste campo podem decidir que o recurso às armas é a última hipótese de manter a sua hegemonia.

Magnífico engenheiro disse...

Neste momento julgo que mesmo a nível militar a superioridade dos EUA é apenas relativa pois agora recorre e muito a companhias privadas de soldados (Blackwaters e tais), tal como aconteceu com o império Romano que quando entrou em declínio teve que recorrer a exércitos mercenários, parece-me que a história se repete neste caso também.

Observador disse...

E é precisamente isso que falta aos EUA en relaçao à china: soldados. Nesse campo a china tem com fartura, mas é no campo tecnologico que as coisas ainda se desequilibram muito. No entanto aquela maquina de pesquisa militar abrandou muito este ultimos 20 anos. A tal ponto que os EUA admitem que a China possa ir primeiro à lua que eles proprios consigam la regressar. E para agravar a agora as coisas a NASA estara, aquando da reforma dos vaivem americanos, dependente da nave russa Soyuz para ir à estaçao internacional. Inicio do declinio? Serao estas grandes dificuldades financeiras, que grandes empresas americanas estao a passar, um pronuncio do futuro?