Olá meus amigos, desde há uns tempos para cá comecei a dar conta de me desaparecerem meias espontaneamente, ao que parece não sou o único afectado por esta situação pois já várias pessoas me confirmaram que lhes acontecia o mesmo. Compro um par de meias, uso-as meia dúzia de vezes e quando dou conta só já tenho uma das meias, a outra desapareceu para nunca mais ser vista, e lá tenho eu que ir comprar outro par de meias e recomeçar este ciclo. Ora eu para averiguar o que acontecia comecei a vigiar as minhas meias, a anotar tudo o que elas faziam e diziam e as peças de roupa com quem contactavam. Depois de um mês de vigilância fiquei a saber que no que diz respeito a contactos entre elas ou com outras peças de roupa que as meias são mudas pois nunca as ouvi a conversar!! Tirando algumas sapatilhas e calças pude concluir que as meias não são muito socáveis, diria até que estão de relações cortadas com tudo o que é camisa e camisola... A vida sexual sexual da peúga por outro lado é uma grande badalhoquice, quando as vou buscar á máquina de lavar-roupa para as pôr a secar encontro sempre meias pretas enroladas com meias de desporto, meias enroladas com boxers ou com lenços de mão e até meias enroladas em si próprias!
Quanto á rotina diária de uma peúga esta é bastante simples: começam o dia sendo colocados num pé esquerdo ou direito não interessa, no fim do dia são atiradas sem cerimónia para o fundo de um cesto escuro e frio onde ficam uma ou duas semanas até terem uma camada superficial de bolor com um mínimo de 5 cm, do cesto saem para a máquina de lavar, depois para o estendal e depois reinicia o ciclo, neste circuito fechado também não consegui detectar oportunidades em que se pudesse dar o desaparecimento.
A sordidez da vida de uma meia é interessante sem dúvida, mas continuei sem saber porque me desapareciam as meias. Até que um dia encontrei umas velhas sapatilhas de atletismo no bar da esquina e estas estando bastante embriagadas em chulé me contaram uma história que até hoje não me coube na cabeça. E assim diziam elas:
- Pois fica sabendo meu rapaz, que as meias não são como as outras peças de roupa. Passam uma vida terrível de duras provações sem ver a luz do sol e a aguentar pés malcheirosos, mas o pior é que só elas vêm em pares, temos uma calça, uma camisa, uma thirt mas sempre 2 meias! Esta dualidade além de ser muito stressante para as meias pois que não lhes permite desenvolver a sua individualidade *, também provoca um distorção no espaço-tempo e quando o Futebol Clube de S. Teodósio da Cascalheira joga em casa abre-se um portal para outra dimensão. E então uma das meias despede-se do seu par e atravessa para a outra dimensão. Dizem que do outro lado do portal existe um pais maravilhoso chamado "Terra das Meias Perdidas" onde os rios em vez de água têm amaciador perfumado, onde as meias fazem orgias para ad eternum, onde nunca ficam com borbotos, onde o elástico da meia nunca alarga e onde não existem dedos dos pés com unhas grandes que faziam buracos na ponta. Neste sítio todas meias são tratadas com respeito e tendo em atenção para o lado que foram feitas "olá shr. esquerdo,...bom dia shra direita". E lá vivem felizes para toda a eternidade e esquecem as duras penas passadas no nosso mundo.
E com esta história as velhas sapatilhas de atletismo me deixaram perplexo, não sei se é ou não verdade, mas inclino-me para que sim.
Adeus, até á próxima e lembrem-se tratem bem as vossas meias ou elas também vos poderão abandonar.
* - pensem na quantidade de vezes que vestiram uma meia sem pensar se era do pé direito ou esquerdo, esta indiferença magoa profundamente os sentimentos de uma peúga
segunda-feira, setembro 01, 2008
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1 comentário:
Depois de ler a tua teoria confrontei algumas das minhas peúgas sobre o assunto, mas nenhuma prestou declarações... Isto dá só pode dar origem a mais rumores e especulações sobre estes desaparecimentos misteriosos. É, enfim, uma atitude incompreensível.
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